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  • clarissaliguori

A incompatibilidade entre a inatividade moderna e a fisiologia humana

Nosso estilo de vida moderno, caracterizado por longos períodos de inatividade sedentária, tem sido associado a diversos problemas de saúde, como obesidade, doenças cardiovasculares e dores musculares. No entanto, uma pesquisa fascinante realizada com o povo Hazda, uma comunidade de caçadores-coletores da Tanzânia, revelou um contraste interessante em relação aos hábitos de sedentarismo. De acordo com o estudo conduzido por Raichlen et al. (2020), embora os Hazda apresentem tempo semelhante de inatividade em comparação com as populações industrializadas, a forma como eles passam esse tempo inativo difere significativamente.


Os pesquisadores descobriram que, ao contrário das populações urbanas modernas, o tempo sedentário dos Hazda é frequentemente gasto em posturas ativas, como o agachamento ou cócoras. Essas posturas exigem um maior engajamento muscular do que simplesmente sentar em uma cadeira, resultando em níveis mais elevados de atividade física durante o tempo inativo. Esse achado sugere que a fisiologia humana provavelmente evoluiu em um contexto que incluía períodos substanciais de inatividade, porém com maior atividade muscular durante esses momentos. A pesquisa com os Hazda nos leva a refletir sobre a forma como nossos corpos evoluíram e se adaptaram ao longo do tempo. Durante a maior parte da história humana, éramos nômades caçadores-coletores, cujo estilo de vida exigia um equilíbrio entre períodos de atividade intensa e momentos de descanso. Nossos ancestrais não passavam longas horas sentados em cadeiras, mas sim em posições mais naturalmente ativas, como o agachamento, que promoviam uma maior ativação muscular. O impacto da inatividade moderna: No entanto, com o avanço da industrialização e urbanização, nossos padrões de atividade física mudaram drasticamente. O sedentarismo se tornou a norma, com muitas pessoas passando a maior parte do dia sentadas em cadeiras, seja no trabalho, em casa ou em frente a telas eletrônicas. Essa transição para o estilo de vida sedentário está em desacordo com a forma como nossos corpos foram projetados para funcionar, levando a diversos problemas de saúde associados à inatividade prolongada.

A boa notícia é que em diversos países, como Finlândia, França, Itália e China, entre outros, a importância desse tema tem recebido cada vez mais destaque, levando à regulamentação de pausas para movimento nas rotinas de trabalho. Esses países estão incentivando a adoção de medidas que promovam o uso de equipamentos que nos permitam sentar de forma mais ativa, como a Bola Suíça, cadeiras ergonômicas instáveis, estimuladores de contração muscular e a implementação de pausas ativas. Essa abordagem, conhecida como "Active Sitting", tem o objetivo de desencorajar o hábito de ficar sentado por mais de 30 a 60 minutos consecutivos, promovendo um retorno ao nosso padrão evolutivo de movimento.

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