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  • clarissaliguori

Hipofrontalidade transitória - O botão de pausa do cérebro


Você já esteve tão envolvido em uma tarefa que perdeu a noção do tempo, e suas ações pareceram quase sem esforço? Para entrar nesse estado conhecido de fluxo, onde conseguimos potencializar nossa performance com mais facilidade, torna-se necessário entender um aspecto neurológico fascinante chamado de hipofrontalidade transitória.

Nosso cérebro, por mais sofisticado que seja, às vezes precisa “silenciar” certas áreas para funcionar da melhor forma. Pense na hipofrontalidade transitória como o botão de pausa estratégico do cérebro, especialmente em suas regiões frontais. “Hipo” significa abaixo e “frontalidade” refere-se ao lobo frontal do cérebro, principal responsável pelos pensamentos sequenciais, lógicos, tomada de decisões e autoconsciência. Durante a hipofrontalidade transitória, o cérebro reduz temporariamente a atividade nesta área.

Agora, para entender melhor o que acontece internamente, imagine as ondas cerebrais como batidas de música. Há a batida acelerada das ondas beta quando estamos alertas e lógicos, e depois há o ritmo mais lento e harmonioso das ondas alfa, muitas vezes ligadas ao relaxamento, criatividade e à hipofrontalidade transitória. Essas ondas particulares tomam a dianteira durante esse estado, permitindo-nos explorar um reservatório de criatividade e intuição.

Com o lobo frontal ficando em segundo plano, outras partes do cérebro têm seus momentos solo, promovendo maior criatividade e redução da autoconsciência. É aqui que a magia do estado de fluxo acontece. Sem o constante excesso de pensamento e dúvidas que muitas vezes nos afligem, podemos mergulhar mais fundo nas tarefas, deixando que nossas habilidades e instintos nos guiem.

Esse conceito não é necessariamente novo. Desde a década de 80, cientistas se aprofundam no tema ao estudar a esquizofrenia. Mas o que tem ganhado destaque são as diferentes ferramentas que nos permitem acionar esse botão de pausa do cérebro, e sem dúvida a eficiência da Pausa Ativa está amparada por esse conceito.

Podemos experimentar acionar a hipofrontalidade transitória em nossa rotina, intercalando atividades físicas durante momentos de alta atividade cognitiva. Ou, ao contrário, quando estamos muito ativos fisicamente, podemos estimular outras frentes cognitivas, alcançando uma sincronia perfeita sem esgotamentos cerebrais.

Sim, como tudo na vida, é preciso equilíbrio. Com o cérebro não é diferente. Se estamos exigindo demais de nosso raciocínio no trabalho, não adianta buscarmos o descanso em redes sociais ou café, que continuam estimulando nosso cognitivo.
Precisamos desviar nossa atenção, e isso acontece de maneira mais eficiente promovendo atividades físicas, que permitem um melhor descanso cerebral, inclusive pela oxigenação cerebral.

Atividades como meditação e mindfulness também são eficientes para isso, mas a vantagem de intercalar com atividades mais dinâmicas é diminuir as dores crônicas relacionadas às tensões ortopédicas muito frequentes no trabalho.

Para trazer isso à vida, vamos usar um exemplo: uma pessoa que está trabalhando há quase 1 hora direto em um relatório. E parece estar estagnada em suas conclusões. Ao levantar da cadeira e praticar 2 minutos de corrida no lugar, aumentar a frequência cardíaca, esse colaborador pode experimentar uma alteração na consciência, como a sensação de estar no momento presente, menos analítico e até mesmo “flutuando”. É como se o cérebro desligasse temporariamente a parte mais focada e permitisse outras experiências. Por isso, não é incomum ouvir que alguém teve um insight durante uma corrida.

Praticar uma rotina consistente de pausas ativas permite evitarmos o esgotamento e chegarmos com maior vitalidade ao final do dia proporcionando melhor equilíbrio entre vida pessoal e trabalho.

Aqui você consegue entender mais sobre como acionar essa pausa cerebral. Vem com a gente?


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