Fazer do tempo de pausa um ativo estratégico não deveria ser difícil — mas é essencial
- clarissaliguori
- 22 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
Como líderes podem usar o “desligar” para decidir melhor, liderar com mais clareza e sustentar performance

O fim de ano costuma trazer uma rara desaceleração na rotina de trabalho. Entre o Natal e o Ano Novo, muitos profissionais finalmente encontram um espaço — ainda que pequeno — para respirar, refletir e sair do modo automático.
Mas, para quem ocupa posições de liderança, pausar de verdade nem sempre parece possível.
Responder mensagens no cinema. Checar e-mails durante o jantar em família. “Dar só uma olhadinha” no celular. Se isso soa familiar, este texto é para você.
Inspirados em reflexões de CEOs globais e coaches de
alta liderança, queremos compartilhar um ponto central que também sustenta a atuação da Pausa Ativa Ocupacional:
Recuperação não é ausência de trabalho — é parte da estratégia de performance.
Tudo começa pela mentalidade
Existe um mito muito comum na liderança:
> “Se eu desligar, algo vai dar errado.”
Muitos líderes acreditam que estar sempre disponíveis é sinônimo de comprometimento. Que pausar é falhar. Que descansar é um luxo incompatível com responsabilidade.
Mas a ciência do comportamento e da saúde ocupacional mostra exatamente o oposto.
A sobrecarga cognitiva constante, o excesso de tempo sentado, a ausência de pausas e a hiperconectividade:
prejudicam a tomada de decisão,
reduzem a clareza mental,
aumentam a irritabilidade,
e elevam o risco de esgotamento físico e emocional.
Boa liderança exige boa gestão de energia.
E gestão de energia exige pausas.
Dar-se permissão para pausar não é negligenciar o trabalho — é investir na qualidade das decisões e na sustentabilidade da liderança.
Uma pergunta simples ajuda a mudar essa mentalidade:
> Isso realmente precisa ser resolvido agora?
Ou alguém da equipe pode conduzir bem enquanto eu recupero energia?
Confiar no time, delegar com clareza e aceitar que nem tudo exige resposta imediata são práticas tão estratégicas quanto qualquer planejamento anual.
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Pausar para liderar melhor
Outro ponto importante é revisar a história que contamos para nós mesmos.
Se o objetivo é ser um líder mais claro, presente e inspirador, vale refletir:
Em que momentos eu penso melhor?
Quando tomo decisões mais equilibradas?
Quando consigo escutar com mais qualidade?
Para a maioria das pessoas, a resposta envolve não estar constantemente exausto.
Pausar não enfraquece a liderança.
Pausar qualifica a liderança.
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O que aprendemos com líderes e especialistas: 4 formas de usar melhor o tempo de pausa
A partir da escuta de executivos e coaches de liderança, quatro aprendizados se repetem — e dialogam diretamente com o que a Pausa Ativa defende no dia a dia corporativo:
1. Desacelerar de verdade
Pausar não é trocar excesso de trabalho por excesso de estímulo.
Nem toda recuperação precisa ser intensa. Pelo contrário.
Atividades mais suaves — alongamento, respiração, escrita, caminhadas leves, práticas de atenção plena — ajudam o sistema nervoso a sair do estado de alerta constante.
O corpo precisa entender que está seguro para recuperar.
2. Criar espaço mental
Muitos líderes relatam que só conseguem refletir com profundidade quando se afastam fisicamente da rotina.
Não precisa ser uma cabana na montanha.
Às vezes, bastam micro espaços de pausa ao longo do dia, longe da tela, longe das notificações.
É exatamente esse princípio que sustenta as pausas ativas durante a jornada: pequenas interrupções que restauram foco, clareza e presença.
3. Usar o tempo “livre” para restaurar — não para produzir
Descanso não precisa gerar entregáveis.
Ler sem objetivo prático, escrever sem publicar, caminhar sem meta de passos.
Esses momentos são essenciais para o cérebro reorganizar informações, integrar aprendizados e reduzir a fadiga mental acumulada.
4. Planejar a pausa com a mesma seriedade do trabalho
Líderes que conseguem pausar melhor não fazem isso por acaso — eles planejam.
Antecipam delegações, combinam expectativas com o time e criam rituais de recuperação, seja no fim de ano ou no meio da semana.
No ambiente corporativo, isso se traduz em rotinas estruturadas de pausa, integradas à cultura e não dependentes apenas da força de vontade individual.
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Pausa não é ausência. É estratégia.
Na Pausa Ativa Ocupacional, acreditamos que pausar é uma competência profissional.
Quando organizações criam condições para que líderes e equipes façam pausas conscientes — físicas, mentais e emocionais — elas não estão diminuindo produtividade. Estão:
prevenindo afastamentos,
melhorando a qualidade das decisões,
fortalecendo a cultura de autocuidado,
e sustentando performance no longo prazo.
Se até os líderes mais exigidos do mundo estão repensando sua relação com o “estar sempre ligado”, talvez seja hora de fazermos o mesmo — não só nas férias, mas todos os dias de trabalho.
Texto baseado em: https://hbr.org/sponsored/2025/12/how-to-unplug-from-always-on-jobs creditos a: Andre Abram, Julia Nenke, and Greig Schneider




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